Publicado por: Lucio Louce | Fevereiro 9, 2010

Na gaveta, a italiana engatilhada

A máfia italiana sabia que algum idiota um dia poderia colocar a porra das mãos na relíquia deles e marcar as digitais cagadas no ouro dos caras. Esse idiota sou eu. Essas mãos cagadas são minhas. É só eu abrir a droga da gaveta que ela vem pra minha posse. 9 mm parabellum prestes a esvaziar na testa de algum homossexual. A vida perdida nos tiros de uma semi-automática. Um cano curto encostado na orelha de algum filho da puta. Nos pegaram. O Mick sumiu. Me pregaram de novo e eu nem fodo mais pra isso. A Beretta não vai disparar o projétil pela culatra literalmente. O gatilho vai dançar e o carregador também. Ao som de Pretty Vacant. O cartucho vai se sentir como um espírita após o passe. O cheiro da pólvora vai se alastrar. E o ferrolho vai se perguntar por que foi fabricado. A Elena comentou no outro post porque eu gostei do blog dela. Assim como o da Camila e o da Ana. Acabei de destrinchar as portas da percepção. Preciso apenas de uma M975. E um pouco de munição pra descarregar em alguém. E não metam a culpa no GTA. A vida aqui dentro explicaria melhor a razão desse meu novo interesse. Quando os disparos acontecerem, a italiana vai dizer: Arrivederci.

Publicado por: Lucio Louce | Fevereiro 5, 2010

Mister Lexotan 6 Toneladas Garoto

O nome dele? Mister Lexotan 6 toneladas Garoto. Ele não consegue relaxar. Ele não consegue nem ao menos dormir. Ele é tenso só porque vive em uma bosta de uma casa branca. Em lugar nenhum. Ele tem andado meio frígido. Tem se preocupado com as coisas do coração. Ele teme intensamente que jamais conheça uma garota que possa comer aqui dentro. Era ator no underground. Hoje só quer sair desse lugar filho da puta. Nunca foi frequentador assíduo do templo Hare Krishna. E muito menos fica leve. E quando a porra do sol finalmente raiar. E ele desmaiar. Tudo ficará positivamente mórbido. O nome dele? Mister Lexotan 6 toneladas Garoto. Hoje eu conheci o Mick. Ele parece ser gente boa. Falamos sobre o fim do punk e a descoberta da Lei Sem Diálogo. Ele me disse que a vida dele sempre foi de beira de estrada. Desde que o cara nasceu. A mãe dele era uma hippie que morreu no parto do cara. O pai era um desses motoqueiros de road. Também morreu. Só que esse foi num acidente de moto mesmo. A vida do cara nunca teve eira, só beira. Beira de bares, estradas, calçadas. O meio fio da calçada sempre foi o grande companheiro do magrão. Tanto pra brigas como pra porres.  Essa droga toda de dizer que um punk não tem sentimento é frescura. Eles tem tanto sentimento que vivem pouco. Mas o Mick não é punk. Talvez um pós-punk. Sei lá também. E não fiquem me dizendo que rotular não faz bem. Vocês sempre rotulam alguma porra, seus babacas! Sempre se contradizem! Dizem que não vão chamar a merda de uma banda de tal nome, mas acabam nominando outra porra sem querer! É sempre assim! E ainda ficam putos quando alguém rotula a banda de vocês! Arrogantes desgraçados! To acabando as portas da percepção. Tá foda. O Huxley já teve devaneios muito doidos. O Mick disse que acha que vai tentar fugir pela madrugada. Vou tentar ajudar o cara. Foda-se se isso der errado. Essa merda toda não pode piorar. Ainda penso no passado. É a foder pensar nisso. Saio do tempo atual e entro no que já foi vivido por mim. Como se um portal se abrisse na frente da minha face porca. Como naquele desenho idiota. Caverna do Dragão. O nome do desenho em que vivo por aqui. Essa casa é a Caverna do Dragão. Os homossexuais são o Mestre dos Magos. Nos enganam durante todo o desenho. E eu devo ser o idiota que tenta fazer alguma magia e erra. Esqueci até o nome do panaca. Pelo menos sei o meu. Pelo menos sei que ainda me restam as últimas páginas de um livro do caralho. Pelo menos sei que ainda tenho a Lucy pra poder olhar nos olhos e dizer que ainda vou voltar pra botar fogo no conhaque jogado na esquina da casa dela. Que ainda vou vomitar álcool etílico na face do Bruce. Que ainda vou ser procurado pela polícia e órgãos do governo. Com o meu rosto estampado em algum poste que mal ilumina um beco qualquer.

Publicado por: Lucio Louce | Fevereiro 2, 2010

Me sinto na porra da capa do White Album…

… ou na droga da contra-capa, com o nome de “I´m so Tired”. Eu sou o nome dessa música aqui dentro. De frente pro espelho. Como quando um aluno idiota fica de castigo de frente pro quadro ou pra parede e de costas pra todos os colegas de aula. Querendo ser “Blackbird” ao invés da merda de música que sou. Querendo ser entoada pra fora daqui. E fora daqui. Querendo encontrar “Strawberry Fields Forever”. Ou “Lucy in the Sky with Diamonds”. Por falar em Lucy, ela veio aqui quase todos esses dias em que parei de escrever. Disse que falou com os coroas sobre a minha vida aqui dentro. E que eles se olharam quando ela falou sobre isso. Disse que eles explicaram que em breve eu vou sair. Que isso vai ser bom pra mim. Que ela não consegue entender o motivo agora, mas que quando for mãe, vai entender e dar razão a eles. Não culpo eles por isso. Não culpo ninguém. Acordo sem ver o sol nascer. Durmo sem ver ele se pôr. Li um tronéu de páginas das portas da percepção. Tem me feito bem. Pelo menos isso. Acho que algumas coisas têm me feito perceber que a vida não é só um grande sorete feito por um ser humano que come caviar todos os dias. Ela também é uma bosta feita por um que come bacalhau. A Lucy nem tem me falado das destrinchadas na rua dela. Isso tudo porque deve se sentir mal por isso. Ela não era assim antes. Contava tudo, e se fosse pra machucar ela machucava e nem tava no pastel. Mas nunca se fazia de salame. Nunca se fez de salame. O negócio dela era não se meter com comida. A Camila tem comentado por aqui. Isso tudo porque eu achei o blog dela nessas tentativas de ver o mundo aqui dentro melhor. E consegui quando encontrei as escritas da garota. Se ligam muito comigo. Ainda não li todos os posts dela, mas vou fazer isso logo. Não pra agradar ela. Mas porque eu fiquei curioso. E por gostar dos textos. Ela me disse pra ler um livro e eu vou pedir pra me trazerem. Tudo porque acredito que ela entenda de livros. A Ana também comentou no último post. Porque eu também achei ela nessas bandeadas. E gostei pra caralho do que ela escreve. Me ajudou a esquecer um pouco essa droga de lugar. E, contrariando o que dizia o Rodolfo dos Raimundos, Ana: eu não quero ver o oco. Por mais que eu seja louco. Ainda quero ser “Everybody’s Got Something to Hide Except Me and My Monkey” e poder ouvir: Your outside it in, when your inside it out.”. Mas por enquanto sou “Happiness is a Warm Gun”, na mesma droga de contra-capa, na mesma porra de album branco…

Publicado por: Lucio Louce | Janeiro 22, 2010

Sou um pobre punk brasileiro

Vocês querem que eu seja sério? Querem que eu seja responsável? Querem que eu seja um cara legal pra vocês, todo dia? Mas isso aqui não é um filme e vocês sabem. Mesmo o mundo girando em torno de mim. Aqui na puta que pariu a vida cheira a merda, mofo e drogas. Só sinto dor.  Só sinto desespero. Sou um pobre punk brasileiro. Só chovem pregadas no meu sombreiro. Baby, eu preciso de tequila. Eu preciso de Tequila Baby. A Lucy veio aqui ontem. Me contou algumas histórias das noites que ela vem destrinchando na rua. Das varadas constantes do veraneio. Das desopiladas na Red Light 69. Dos copos e garrafas quebradas no Papuera. Das passadas na frente do Preta’s Bar. Dos chutes na jukebox do Pool Bar. Do diesel jogado pelas calçadas. Do corpo cheirando a diesel, jogado no meio da rua. Do copo cheirando a Margarita, paga pra ela por algum bêbado no New York Pub. Da Guiness golada por ela em uma esquina com um empresário bem sucedido. Eu prefiro o Porto. Mas ela também disse do homem afogado no Quadrado. Ela não conhecia. E eu não sabia da história. E também nem sei se isso é história ou estória. Disse do all star sujo encontrado perto do IAD. Do Bar do Zé. Do Enigma’s. Falou do reencontro dela com a Maria Joana. E não é a maconha. É a Maria Joana mesmo. Uma garota que conhecemos na Red Light 69. Quando o céu desabava, e a gente achava que o fim do mundo tava chegando. Pra mim ele tava. Além das estórias, a Lucy me trouxe As portas da percepção. Mais um do Huxley. Abracei ela por isso. Acho que nunca tinha feito isso. Mas fiz. Precisava agradecer ela de alguma maneira.  E não ia falar “Obrigado”. Que coisa mais ridícula de se dizer pra um amigo, porra. Ela sente o que tenho passado aqui. Disse que vai falar com os coroas pra me tirar logo dessa bosta. Sei que não vai adiantar muito. Mas vai adiantar. Em algum canto da mente deles, uma luz vai aparecer. Uma droga de uma luz no fim do túnel. Ainda acredito em um complô. Me sinto na ilha de Lost. Ou um telespectador da série até agora. Uma droga de uma série em que tudo parece estranho. Sem saber como eu vim parar aqui, quem são esses retardados, os homossexuais, e que droga existe nas pregadas. Se fosse fácil fugir dessa merda. Eu já taria livre.

Publicado por: Lucio Louce | Janeiro 18, 2010

O fim do Ian

Aconteceu algo estranho. O Ian se matou. Foi bem bizarra essa droga toda. A gente tava no pátio. Testando o nosso organismo com algumas drogas que ele conseguiu esses dias. Não sei mais o que é pura realidade. Mas vi que ele ficou atirado no chão. Os homossexuais vieram ver se ele tava respirando. Eu não consegui ver muito bem essa desgraça. Tive alucinações decentes até. Nada a ponto de querer matar alguém. Até porque eu sei que não fui eu que matei esse cara. Juro que não. Os homossexuais me pregaram mesmo assim. Acharam que eu que tinha dado um fim no magrão. Como? Eu tinha alguma faca? Não tenho nada que possa matar aqui! E um soco meu não pode matar nem uma mosca. Ainda mais quando me encontro em transe. Penso que tudo isso seja um complô. Todos estão conspirando contra mim! Todos aqui dentro! E os coroas também! Não é possível! Me deixaram de castigo durante alguns dias. Isso foi o que disseram. Ainda não consigo entender nada. Minha memória quase nem tem funcionado direito. Nem lembro muito bem da última visita dos coroas. Nem se a Lucy tem vindo. Eles precisam parar com essas drogas de remédios! Tenho visto coisas bastante bizarras nessa merda de lugar filho da mãe. Há dias que não sei de nada que acontece no mundo. E nem tenho interesse. Agora há pouco eu tava vendo os outros posts dessa merda. Grandes bostas que fiz. Meu vocabulário aqui tem sido abaixo da linha da pobreza. Pior do que sempre. Preciso pedir pra Lucy alguma droga. Nem que seja uma droga injetável. Senão, não vou levantar mais daquela cama filha da mãe. Preciso do Quadrado. Um lugar onde as pessoas são loucas e super chapadas, um lugar do caralho. Um lugar do caralho. Preciso jogar GTA.

Publicado por: Lucio Louce | Janeiro 8, 2010

Baile Punk

É isso mesmo que tu leu. É punk e não funk. Esse tem sido o baile em que tenho dançado aqui dentro. A droga de um baile que parece não ter fim. Um baile que nunca termina. Bailam moicanos descontrolados. Ciganos desregulados. E até velhos acanhados. Ao som de God Save the Queen. O punk escorre na veia de todos aqui. Isso porque ele morreu. Mataram o cara. Vivemos a morte aqui dentro. Não é nem a droga de um purgatório. Porque não temos escolhas. Eu não. Reli o primeiro volume do “Mate-me,por favor”. Foi tão rápido que acho que vou acabar lendo essa droga umas 234 vezes por aqui. Não acho que o tempo tenha parado. Mas que ele anda a 20 quilômetros por hora aqui dentro, ele anda. Nada é pior do que acordar de manhã e olhar pra paredes brancas com um cheiro a mofo no quarto que não é teu, vendo pessoas que não queres, com caras que não suportas. Preciso de um mp3 ou mp4. Algo pra eu poder tampar os ouvidos e entrar em outra dimensão. Longe daqui. Longe de todos que gritam aqui. Algo pra eu poder não ouvir esses gritos estúpidos. Pra eu não ouvir loucuras constantes. Qualquer que seja  o playlist eu suporto. Melhor do que isso vai ser. Aguento até emocore. Até isso. Podem colocar Fresno que eu ouço. Isso é um apelo. Um apelo de alguém que não consegue mais acordar sem ficar sentado durante algum tempo na cama, com nojo de levantar e ter que viver mais um dia filho da puta. Um dia que passa como uma corrida de lesma em câmera lenta. Em slow motion. A vida de bosta que não quer ser vivida. Não pode ser vivida com cheiro a merda durante 24 horas por dia. Alguém que lê essa droga. Se é que alguém ainda faz isso. Me tira daqui. Arranja um motivo pra vir pra essa droga que fica perto da Cascata. Arranja um motivo qualquer. Pra tirar um cara que só quer ficar em paz consigo mesmo. Tenho pensado no boliche. Que eu jogava com a Lucy. Quando não jogávamos sinuca, o melhor jogo entre a gente era o boliche. Eu humilhava ela. Às vezes conseguia até um strike. Ela ficava puta da vida. Eu me matava rindo. O Ian disse que já bolou um plano pra fugir dessa merda. Vamos colocar a droga em prática na semana que vem. Vai dar certo. Claro que vai. Não venham me dizer que não. Vocês nem sabem qual é o plano. E nem vou dizer. Das outras vezes eu falei e acabou dando tudo errado. E se foder, foda-se. Já levei pregada mesmo. Já sei como é. Não é tão ruim quanto parece. Os coroas vão vir aqui amanhã. Acho que é sábado. Vou pedir pra coroa essas drogas que tenho dito aqui. Que ela me traga. Senão nunca mais aceito a visita deles. Preciso de um ar menos poluído. Vou ali no pátio. E isso tem se tornado cada vez menor. Assim como a minha paciência.

Publicado por: Lucio Louce | Janeiro 7, 2010

Dois meses são iguais à eternidade

Agora eu parei pra pensar nas bobagens que o Einstein falava. E vi que não eram bobagens, como eu pensava. Ou melhor, eu é que sou uma besta. O coroa esse tava certo mesmo. Mesmo sendo escabelado, o cara sabia disso. Vivo na eternidade durante dois meses aqui dentro. Eu sei que parece idiota falar no tempo, até porque é uma coisa que eu não posso comer e ninguém pode. Se fosse de comer seria melhor na hora da engolida. Mas na hora de sair seria um parto. Soltar o tempo no vaso. Preciso fazer isso. Mas ele não sai. É uma prisão de ventre. Ou vive engasgado na minha garganta. Pensei em pedir pros coroas me trazerem uma câmera na próxima vez que vierem. Pra eu poder me distrair melhor. Pra eu poder me distrair. Cada segundo aqui dentro custa caro. É como ir no Lobão pra comer abacaxi com canela e queijo. Aquela droga de lugar. Prefiro o Preta’s Bar. Não, não é um bar só com negras. Pra falar a verdade, nunca vi uma negra lá. Já entrei no local duas vezes com a Lucy. Pelo entardecer. Depois do Zombie Walk. Típico por aqui. A gente entrava como zumbi mesmo. E as vagas ficavam nos olhando com caras de assustadas. Como se a gente fosse levar elas pra um caixão. A Lucy pedia um keep cooler lá dentro. Só podia ser deboche. Onde se viu um keep cooler em uma luz vermelha? Acostumada a ir no Pool Bar pela noite e tomar aquilo lá, achou que no Pu… Bar também tivesse. Ela disse pra mim que esses tempos foi na redação do Diário Popular. O jornal mais conhecido aqui na cidade. E pediu pra publicarem o meu blog lá. Eu ri muito ouvindo isso. Ela só podia tá dopada. Quando que um jornal sério vai publicar esses palavrões que digo seguidamente aqui? Nunca! Disse que a coroa que atendeu ela perguntou sobre mim. Algo assim. Legal da parte dela. A Lucy disse que agora vai tentar propagandear o meu blog por panfletos distribuídos na cidade por ela. Ou por banners colados em paredes sempre infestadas de papéis. No calçadão isso é comum. Ela acha que assim vão me dar forças pra sair daqui. Que nada. Mas aceito a ajuda da garota. Conheci o Ian ontem. Ele parece bem desregulado da cabeça. Mas parece ser gente boa. Talvez possamos bolar um plano de fuga melhor do que os outros, idiotas. To relendo “Mate-me por favor”, e não to achando chato isso. É melhor do que ficar sem fazer nada. Os jornais tão cada vez piores. E a comida também. Os rostos das pessoas não me agradam. E esse redondo de 2010 parece ser como uma bola de neve que cai do topo do Everest.

Publicado por: Lucio Louce | Dezembro 31, 2009

Compra-se uma fuga

O último dia do ano. Acordei hoje com a cabeça sangrando. Não entendo ainda como. Sinto que os homossexuais me dão pancadas na nuca toda a vez que me pregam. Me pegaram na máquina no último dia e me colocaram em coma por um tempo. É o que eu acho. Minha memória não funciona mais tão bem como quando eu não vivia nessa desgraça. Leio os posts antigos e nem imagino como escrevi as palavras que li. Parece que isso não aconteceu comigo. Eu não sei se é o efeito dos remédios que nos enfiam garganta abaixo. Tento lembrar o que foi dois mil e nove pra mim. É quase impossível. Pelo menos não lembro de merdas. A memória tem me deixado de lado. Eu aceito isso. Aceito como aceitei que todos os dias venha um homossexual me fazer perguntas. Respondo. Não devo dinheiro pro banco. Nem pros coroas. Sempre me deram sem pedir de volta com juros ou o caralho a quatro. Nada me interessa muito. Sinto um pouco de tesão por algumas coisas, mas não muito. Não muitas coisas. Às vezes sinto falta dos meus 10 anos. Das bostas que eu fazia e os coroas mal viam. Mal sabiam o que eu era. Mal sabem o que eu sou. Nem ligam a minha TV. Não querem ver o meu canal. Preferem o Faustão no domingo. Nunca me assistiram como assistem a Ana Maria Braga nas manhãs de verão. Essa droga toda não me deixa muito interessado em falar sobre como coroas podem destruir a merda de uma criação que já poderia nem acontecer se não tivessem feito uma criança. Nos tempos de colégio eu tinha que ser o melhor em tudo. As melhores notas e o melhor comportamento. Mas como me fazer ser o melhor  em tudo? A porra da vida deles é um corredor em que passa um de cada vez! Nem pra um casal eles servem! Fingem viverem bem! Vão ao Mc Donald’s todo o final de semana pra mostrar que são uma família feliz! Comem a merda de um Mc Lanche Feliz pra mostrarem que são uma família feliz! Pegam a merda de uma comédia romântica em uma locadora pra assistirem com as suas bundas fedorentas em suas camas esburacadas durante uma noite de inverno pra mostrarem que são uma família feliz! Vão em restaurantes orientais pra comerem sushi e outras drogas pra mostrarem que são uma família feliz! Descem a Princesa Isabel e chegam na baixada pra assistir ao Bra-Pel pra demonstrarem que são uma família feliz! Vão na merda do Lobão pra comer carne até quase explodirem pra demonstrarem que são uma família feliz! Pintam as paredes de casa, lavam o carro, viajam pelo Estado, tomam iogurte natural, comem arroz parboilizado, tomam leite desnatado, comem peito de peru, queijo lanche, club social até passarem mal, contam os dias em calendários na geladeira, abrem a geladeira pra pensar, coçam suas partes íntimas, usam roupas importadas, desimportadas, LACOSTE, vão na Renner, compram, dizem que estão satisfeitos pra máquina que conta as mentiras dos outros, outras vezes vão na C&A, compram quase toda a droga da loja, me perguntam se eu não quero algum tênis, talvez um all star, compram churros, sorvetes, pegam a escada rolante, chegam no BIG, deixam o carro no estacionamento, pegam o maior carro de supermecado, lotam o carro, na hora de pagar a merda das compras olham as revistas, as capas, bocejam na fila, comem Nissin por acharem mais fácil, ou Cup Nodles, vão no Habibs, pedem 12 esfihas de queijo, pra demonstrarem que são uma família feliz! Sabem quem transou com quem hoje no Multishow depois da meia-noite? Não. Se soubessem seriam uma família infeliz. Vocês, que lêem essa desgraça toda, devem ter o ensino médio completo ou pelo menos cursam um. Eu não! Por quê? Parei justamente no primeiro ano. Por quê? Eu falava mal das relações familiares em redações. Os professores achavam que eu tinha uma criatividade ótima, mas que não precisa falar mal dos coroas. Eu acabava sempre zerando as redações. Sempre zerando essas folhas que não servem nem pra limpar o reto. Vocês se acham cool? Que tomem no cool. Esperam o fim do ano pra comerem bem e desejarem um próspero ano novo pro mundo todo. Até pra aquele vizinho idiota que nunca te cumprimenta na rua. Por onde anda a Lucy? Em que cabaret ela tem estacionado? Qual luz vermelha tem iluminado a sua vida selvagem noturna? Qual bebida tem combinado mais com o seu fígado? Qual sintética tem feito o melhor efeito no corpo da monaia? Qual face ela deve mostrar pra um novo conhecido ou uma nova parceira de crime? Com que cara ela deve beijar a próxima aranha em qualquer toilet com pó branco na pia? A Nancy nem deve mais saber quem sou. Eu mal sei quem ela é agora. Talvez conheça alguém menos perdida na estrada da vida. Menos corroída. Isso seria tosco. Quero encontrar alguém mais perdida do que ela. Dessas que saem na rua sem rumo e sem grana. Sem amigos e muito menos pensamentos. Uma boa e nova punk. Ou uma funkeira. Dessas que vão em baile funk todos os finais de semana. Odeio essa droga. Mas gosto da dança delas. Me chama realmente a atenção. E pra algo me chamar a atenção tem que ser algo poderoso. Algo que faça parar a minha freeway cotidiana. É raro. Minha estrada é lisa. Pro meu caminho ser veloz. E constante. Essa merda toda tá ficando chata. Nem eu to agüentando mais o que escrevo. Ainda bem que parei uns dias. Senão acho que acabaria com o blog rápido. Preciso parar de escrever tanta idiotice. Só que eu sou um idiota. Então isso é o que ocorre. Da forma mais natural possível. Acho que vou começar a ouvir a Voz do Brasil agora. Só pra rir um pouco. Sempre que eu ia pra casa da Lucy no fim da tarde, a gente ficava escutando essa droga e rindo alto pra demo. Um bando de babacas falando sobre um país do caos. Talvez assim eu esqueça que passarei a virada socado em uma casa branca. Vou estourar um champanhe na testa de um homossexual. Se os coroas vierem com ”feliz ano novo”, vão levar um soco no rosto. É melhor desejar um “feliz ano velho”, ou melhor, um ”feliz ano bem velho”, da época em que os meus dias eram um pouco melhores. Mesmo não sendo grande coisa, eram um pouco mais decentes os anos antigos. Vou ouvir os fogos pensando nisso, como a minha vida explodindo no céu. A minha vida explosiva, virando o ano com os fogos na rua e a minha face aqui dentro.

Publicado por: Lucio Louce | Dezembro 21, 2009

Voltando ao mundo real

Eles descobriram. Esqueci de apagar o último histórico. Eles queriam a senha e o login. São estúpidos. Sabem quando darei isso a vocês, seus imbecis? Nunca! Fiquei proibido de escrever nisso durante quase um mês. E ainda tentei fugir mais uma vez. Imbecil sou eu também. Eu e a Nancy. Me colocaram em uma espécie de solitária depois de me pegarem e me pregarem. Vomitei todos os dias nessa droga de lugar. Até que chegaram os coroas e eu pedi pra me tirarem dali. Eles vieram só dois dias durante toda essa droga de tempo. A Lucy veio muito mais. Passou vários dias por aqui. Coisa que eu achei que nunca mais ela  faria. Como sempre, ela me deu tapas na cara. Eu deixei, porque sentia saudade dos tapas dela. Pode parecer gay, mas é verdade. Sentia vontade de levar uns sopapos dela. Mas só dela. E só na cara. Se ela partisse pra outra parte do corpo eu partiria pra cima dela. Ela me trouxe os dois volumes do “Mate-me, por favor”. E pararei de destruir com ela aqui só por isso. Era o livro que eu mais precisava ler. To acabando o segundo volume agora. Depois vou devolver pra ela. Ela disse que a gente tinha que dividir porque ela gastou todas as suas economias do mês pra comprar essas drogas. Valeu a pena gastar toda droga dos trocados economizados nisso. Valeu mesmo. Ainda acho que não deve existir um presente melhor pra alguém que vive aqui. Eu pedi pra ela me trazer umas sintéticas também. Mas ela disse que não tinha mais nada pra trazer. Eu aceitei a desculpa. Foi legal da parte dela trazer esses livros de bolso. Não sei como não enlouqueci aqui dentro ainda. É muita loucura ao mesmo tempo. Tento não ver ou ouvir nada, mas é impossível. Não tem como não ver esses retardados retardando. Nem ouvir essas bichas gritando. A Lucy me disse que esses tempos deu briga na Red Light 69. Eu falei pra ela que isso não era novidade. E que ela me contasse algo novo. Ela disse que vai colocar um alargador naquele lugar. Eu não me importei com isso. Até que ela chegou no assunto de uma nova amiga de crime. Disse que tem saído com ela todas as noites. Conheceu a garota em um posto. A guria bebia Polar e dizia que conhecia a Lucy de algum lugar. Não sei como a Lucy encontra essa laia pela madrugada. Não sei nem como eu não mandei ela parar de falar na garota. O nome dela é Sofia. Falei pra ela que isso era nome de patricinha que  usa narguile e fala sobre as festas com as colegas de faculade. Festas ridículas. A Lucy disse que ela não é assim. Pela primeira vez na minha vida estúpida eu acreditei nela. Foi algo natural. Talvez por eu não ouvir ela falar há tempos. Ela disse que a Sofia tem espírito trance. Não sei da onde ela tirou essa droga de junção. Foi bastante estranho ouvir isso. Mas ela sabe o que diz. E eu aceito. Ela perguntou quando eu sairia dessa casa mal-assombrada. Eu disse que no ano que vem. Ela não acreditou. E disse que não conseguiria esperar tanto tempo sem me ver na rua falando bobagens pra bêbados atirados no chão. Eu disse que pro ano que vem faltava pouco. E faltava mesmo. Agora não falta quase nada. Só de pensar no que foi 2009, sinto vontade de soltar as tripas pela boca. No natal, que a coroa não me venha com um panetone pra mim porque vou jogar isso longe. E o coroa que não me fale que vai parar de fumar no ano que vem. Porque ele sempre fala sobre isso e nunca faz. É típico dele. Passa uma semana do novo ano sem fumar, até que resolve comemorar a falta do cigarro e fuma. Tosco demais. Mas é o que acontece. Eles que não me venham com promessas de saída minha daqui. Ou com presentes de natal pra tentar fazer eu superar o fato de que vivo em um mundo de retardados e drogados. O único presente que eu aceitaria seria o de sair daqui agora. O melhor presente de natal. Sem frescura de papai noel ou renas. O natal na vedade não existe aqui. Nem os outros 364 dias do ano. Nem aqui nem fora daqui. Ele nunca existiu pra mim. Nem sei quem foi Jesus direito. Como posso comemorar o aniversário de alguém que nem conheço direito? Ainda se Jesus fosse meu amigo, irmão ou conhecido próximo eu comemoraria com ele. Mas nunca falei com o cara. Ele nunca me citou alguma parte da bíblia. E eu também nunca li a bíblia. Se o cara tivesse orkut, MSN, facebook, twitter ou flikr eu não conheceria ele ainda. Até porque não uso isso. Acho apenas moda. E nunca gostei dessa palavra.

Publicado por: Lucio Louce | Novembro 23, 2009

Me sinto o presidente dos EUA…

… nessa Casa Branca. Mas pretendo me exilar no exterior. Sair dessa droga toda. Eu e a Nancy estamos planejando uma fuga decente. Bem mais decente do que a primeira fuga. Aquilo era idiota. A nossa de agora é bem melhor. Pensamos melhor do que o Otto e o Ivo juntos. Por falar nos caras, o que será que devem tá destruindo no outro bloco? Será que já não fugiram? O Chonho deve tá armando altas brigas por lá. E o Vega deve tá emagrecendo à força o infeliz. Isso tudo me dá fome. Mas a comida aqui não muda. É a mesma merenda ridícula de sempre. Até um Big Mac é melhor do que isso. Eu até comeria essa bosta pra não comer essas outras drogas que nos fazem engolir por aqui. Cada capítulo desse livro rasgado parece mais comprido. E com palavras cada vez mais chinelas. Palavras que nem mesmo entendo. De tão chinelas que são. Não me digam que isso vai melhorar. Que o fim do livro vai chegar. Eu parei de ler. Desisti de ler essa droga toda. Hoje levantei e vi as paredes do meu quarto desabando. Pedi pra todos se enconderem. Mas ninguém fez isso. Os homossexuais chegaram e me colocaram na cama de novo. Eu pensei em dar um soco em um deles. Mas na hora eu tava cansado. Tenho andado cansado pra sorete. A Nancy também. Nem temos nos falado muito. O pátio continua a mesma droga. E nem temos ido lá. Preciso de alguma droga. Nem que seja a mínina. Que não seja uma dessas daqui. Ainda não usei o Huxley. Mas to pensando em fazer isso amanhã. A Lucy não tem comentado e nem manda e-mail. Os coroas vão vir amanhã eu acho. Pedi pra coroa trazer mais um book. Espero que ela se lembre. E que também traga comida. Porque aqui não existe essa palavra. Aconteceu algo estranho ontem por aqui. Por isso eu nem postei nessa droga. O Marvel, um cara muito afastado de todos aqui dentro, tentou se enforcar com uma das cordas que nos dão pra pular. Achei isso completamente tosco da parte dele. Mas o mais estranho é que ele acusou alguém de tentar fazer isso com ele. E todos tiveram que responder às perguntas estúpidas dos homossexuais. Como se isso fosse um tribunal. Levaram cada um pro seu quarto e começaram a soltar questões completamente sem sentido pra todos. Eu e a Nancy vimos o cara tentando se enforcar. Outros também viram. O Papoula viu. E ele disse que não sabia de nada. Só pode ser louco! Eu e a Nancy falamos o que a gente tinha visto. O Papoula não tem esse apelido à toa. Me deixaram usar essa droga só agora. Se eu pudesse ficar só escrevendo todos os dias, eu ficaria. Parece chinelo falar isso. Mas não é. Isso porque vocês não vivem aqui. Bando de leitores alienados. Nem imaginam como é o mundo aqui dentro. Essa droga é outro mundo. Parece que me levaram pra Saturno e me deixaram por lá. Quinhentas e poucas palavras agora. Tudo por causa da fome.

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